02/05/2025

Como é a aposentadoria dos estivadores?

O trabalho dos estivadores é essencial para o funcionamento dos portos e para a economia do Brasil. Esses profissionais são responsáveis por carregar e descarregar navios, movimentar cargas pesadas e lidar com diversos equipamentos. É um trabalho que exige muito fisicamente, envolve riscos e, muitas vezes, é feito em ambientes insalubres e perigosos.

Por causa dessas condições, muitos estivadores têm direito à aposentadoria especial, um tipo de benefício concedido a quem exerce atividades com risco à saúde ou à integridade física.

Além da aposentadoria especial, o estivador também pode se aposentar pelas regras comuns do INSS, desde que cumpra os requisitos de idade e tempo de contribuição.

Neste artigo, você vai entender os tipos de aposentadoria disponíveis, a idade mínima exigida, o tempo de contribuição necessário e os documentos que precisa apresentar.

Se você é estivador ou conhece alguém que trabalha nos portos, este conteúdo vai te ajudar a garantir seus direitos.

  1. Quem são os estivadores e como funciona o trabalho no porto
  2. Quais os tipos de aposentadoria disponíveis para os estivadores
  3. Aposentadoria especial: quando o estivador tem direito
  4. Documentos necessários para comprovar o tempo de trabalho portuário
  5. Como solicitar a aposentadoria e evitar erros no processo

  1. Quem são os estivadores e como funciona o trabalho no porto

Os estivadores são trabalhadores portuários que realizam a carga e descarga de navios. Eles atuam principalmente em portos marítimos, fluviais e lacustres, sendo responsáveis por movimentar mercadorias pesadas, operar equipamentos e garantir que os produtos sejam embarcados ou desembarcados com segurança e agilidade.

Esse trabalho é tradicional e existe há muitos anos. No entanto, ele é bastante pesado e perigoso, já que envolve:

  • Esforço físico intenso
  • Contato com produtos químicos ou tóxicos
  • Risco de acidentes com cargas pesadas ou equipamentos
  • Exposição a calor, ruído e vibração

Por isso, o trabalho do estivador é considerado uma atividade especial, ou seja, uma profissão que pode dar direito à aposentadoria especial do INSS — desde que comprovada a exposição a agentes nocivos à saúde.

Vale lembrar que os estivadores podem ser trabalhadores avulsos, ou seja, que prestam serviços para diferentes empresas sem vínculo fixo, mas com a intermediação do sindicato. Nesses casos, a contribuição ao INSS é feita pela entidade sindical ou pelo OGMO (Órgão Gestor de Mão de Obra).

Entender como essa atividade funciona é essencial para saber quais regras se aplicam à aposentadoria. Nos próximos tópicos, você vai entender como isso influencia no tempo de contribuição e no tipo de benefício que o estivador pode receber.

  1. Quais os tipos de aposentadoria disponíveis para os estivadores

O estivador pode se aposentar de duas formas principais: pela aposentadoria comum ou pela aposentadoria especial, dependendo das condições do seu trabalho e do tempo de contribuição ao INSS.

Aposentadoria comum:

Para os homens, a regra exige:

  • 65 anos de idade
  • 20 anos de contribuição (se começou a contribuir após a reforma da Previdência, em 2019)

Para as mulheres:

  • 62 anos de idade
  • 15 anos de contribuição

Estivadores que já estavam contribuindo antes da reforma podem entrar nas chamadas regras de transição.

Aposentadoria especial:

Nesse caso, é possível se aposentar com:

  • 25 anos de atividade especial comprovada, sem necessidade de idade mínima (para quem já tinha esse tempo antes de 2019)
  • Ou, para quem começou depois da reforma, será necessário ter 60 anos de idade + 25 anos de tempo especial

A principal vantagem da aposentadoria especial é que não há aplicação do fator previdenciário e o tempo exigido é menor.

  1. Aposentadoria especial: quando o estivador tem direito

A aposentadoria especial é um benefício do INSS concedido a quem trabalha exposto a riscos à saúde, como ruído, agentes químicos, físicos ou biológicos. Os estivadores, devido à natureza do trabalho portuário, muitas vezes têm direito a essa modalidade.

Quais são os riscos enfrentados?

  • Cargas pesadas e risco de acidentes
  • Ruídos acima dos limites permitidos
  • Produtos tóxicos ou inflamáveis
  • Vibrações e esforço físico intenso
  • Trabalho em altura ou em áreas perigosas

Até a reforma de 2019, bastava comprovar 25 anos de trabalho em atividade especial para se aposentar, sem idade mínima. A partir da reforma, é preciso ter 60 anos de idade + 25 anos de tempo especial.

Quem já tinha direito adquirido antes da reforma continua com as regras antigas.

É necessário apresentar:

  • PPP (Perfil Profissiográfico Previdenciário)
  • Laudos técnicos da empresa
  • Contratos de trabalho ou recibos (no caso de avulsos, o OGMO e o sindicato fornecem as informações)

A aposentadoria especial é vantajosa porque o valor do benefício é mais alto e não há redutores como o fator previdenciário. Se o estivador não conseguir os 25 anos completos, ainda é possível converter o tempo especial em comum, o que antecipa a aposentadoria tradicional.

  1. Documentos necessários para comprovar o tempo de trabalho portuário

Para que o INSS reconheça o direito à aposentadoria do estivador, é essencial apresentar a documentação correta. A falta de provas pode até impedir a concessão do benefício.

Documentos básicos (para qualquer tipo de aposentadoria):

  • RG e CPF
  • Comprovante de residência
  • Carteira de trabalho (CTPS)
  • Extrato do CNIS (histórico das contribuições)
  • Certificados de cursos (se houver)
  • Guias de recolhimento do INSS (se houver períodos como contribuinte individual)

Documentos para aposentadoria especial:

  • PPP (Perfil Profissiográfico Previdenciário): esse documento detalha o histórico de atividades do trabalhador, indicando a exposição a agentes nocivos. Para estivadores avulsos, o OGMO ou o sindicato da categoria deve fornecer esse documento.
  • Laudos técnicos de condições ambientais do trabalho (LTCAT): reforça a informação sobre o risco da atividade, especialmente se for necessário contestar a negativa do INSS.
  • Registros de escala e fichas de trabalho: também servem como prova da atuação nos portos.

Em caso de dúvida, é recomendável procurar orientação com um advogado previdenciário para lhe auxiliar tanto na documentação como também no pedido da aposentadoria no INSS.

  1. Como solicitar a aposentadoria e evitar erros no processo

O pedido de aposentadoria pode ser feito de forma 100% online, pelo site ou aplicativo Meu INSS. Mas para evitar atrasos, indeferimentos ou perda de direitos, o ideal é ter um advogado previdenciário realizando o procedimento para você.

Por isso, não hesite em procurar um advogado previdenciário, especialmente se você é estivador, pois quando há tempo especial envolvido, é necessário ter mais atenção na documentação apresentada ao INSS e ao cálculo da sua aposentadoria.


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